quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Sete bilhões de pessoas! Oba! Oba?

Hoje é dia dos mortos ou de finados, ou então dia de "Todos os Santos" se você for católica, mas por ironia do destino a poucos dias atingimos a incrível marca de 7 Bilhões de habitantes na Terra, essa marca foi comentada (e comemorada) no mundo todo, noticiários correram para saber em que país nasceu o bebê número 7 Bilhões e uma série de reportagens se seguiram com outros temas relacionados.

Algumas dessas matérias me chamou bastante atenção, elas falavam sobre a tal da sustentabilidade, como vamos matar a fome e a sede de tanta gente? A resposta veio fácil da boca de um "especialista" (nessas reportagens sempre tem um "especialista", do quê ninguém sabe, mas o cara é bom) que afirmou que os países subdesenvolvidos estão prontos para a demanda, que a agricultura nestes lugares nunca esteve tão desenvolvida (somente a agricultura se desenvolve, o país nunca deixa de ser agrícola...) e que "suplementos" não seriam problema algum.

No contra ponto da questão a matéria deu a palavra a um "professor" que tentou nos alertar sobre os riscos do crescimento desenfreado da população (sempre que uma matéria quer colocar a palavra de um "chato" que veio para ser do contra ele nunca é um "especialista" é sempre o mala de um "professor").

  [Bem, o professor apareceu como um flash de um filme de terror,
nem deu para sacar a fisionomia do sujeito...]

Então a reportagem pulou para outra importante questão, os aposentados, com o crescimento da "qualidade de vida" as pessoas estão vivendo mais e quem vai sustentar com impostos os ricos salários de aposentadoria dos velhinhos? Os jovens! Niemi sua burra, você me responde caro leitor.

É champs, mas na reportagem afirmaram que não estão nascendo jovens suficientes! Pois é! E adivinhem, no colo de quem caiu a responsabilidade de gerar mais crias? Das mulheres! Óbvio e ululante.

Na Europa já existem diversas campanhas convocando as mulheres ao "dom da maternidade", os governos que antes incentivavam o planejamento familiar (traduza por não fazer filho sem tem condição para criar) agora estão sugerindo com ênfase que mulheres tenham mais filhos, eles prometem ajuda financeira.


  [Subsídios, as bolsas tão criticadas aqui no Brasil, por que na Europa essa terra de gente branca bonita e bem sucedida governo não dá esmola].

Incrível como sempre é legado à mulher o papel do controle de natalidade, gente ainda está para nascer uma criança fruto de uma masturbação(pornoridade, adogo, não evito), mulher não faz filho sozinha, é necessário ter essa mesma conversa com os homens também! Ainda existem aos montes aqueles que acham que devem "espalhar sua sementinha" por aí a todo custo, como prova de sua masculinidade, para saciar o "instinto", para o bem da "prosperidade e família".

 
[Sustentabilidade, você está fazendo isso errado]
 

Prosperidade não quer dizer exagero, as pessoas confundem um ambiente prospero com um lugar zoneado, cheio de acúmulos desnecessários e o desperdício de tantas outras coisas importantes por puro capricho, essa idéia errônea que confunde quantidade com qualidade está insuflando o nosso planeta de pessoas, uma hora não haverá tanta "prosperidade" para tantas "famílias" assim.

E a culpa será de quem? Das mulheres que não (odeio essa expressão) "fecharam as pernas"?

Ou será da humanidade que não colocou um freio na sua ambição de prosperar?

9 comentários:

Lord Anderson disse...

Eu ainda lembro quando eramos 5 bilhões.

Incrivel acreditar que nos multiplicamos tanto nesse tempo tão curto.

É bom pontuar essa diferença de natalidade entre os paises.

Algumas nações como o Japão ja sofrem com natalidade negativa (morre mais pessoas do que nascem) e um grande envelhecimento da população.

Ironicamente essas mesmas nações costumam ser muito refratarias a imigrações, então passam a ter essas ideias de incentivar o nascimento de pessoas realmente pertencentes a sua nacionalidade.

Ou seja, temos uma mistura de todo tipo de preconceitos, economcios, etnicos, nacionalistas e de genero.

Alem disso tem o egoismo e o consumismo desenfreado que torna a ideia da sustentabilidade urgente, mas distante.

PS: Bom post :)

mundomel disse...

Acho ótimo essa justificativa do "os países subdesenvolvidos vão dar conta dos alimentos para quem realmente vale a pena. Por que pra quê dar comida pra pobre, né?"

Quanto a essa coisa das bolsas, é incrível como todo mundo corre pra criticar as bolsas no Brasil mas acha bonito bolsa na Europa. Outro dia uma amiga veio falar que era um absurdo no Brasil não termos bolsa pra quem quer ter filho e ter bolsa pros pobres que já têm muitos filhos e nem queriam... Eu fiquei tão chocada que eu só disse: "Você tem noção do que você disse? Dessa MERDA?".

É aquele velho pensamento do vamos dar dinheiro pra quem já tem dinheiro e deixa os pobres morrerem.

Em todas as reportagens que vejo sobre a queda da natalidade, vem a praga do pensamento de que a mulher foi pro mercado de trabalho e não está mais em casa e bla bla. Vem aquele papo contra a mulher emancipada e tra la la la la. O povo simplesmente ignora que o custo de vida hoje é altíssimo se comparado às décadas passadas...

Arlequina disse...

O maior problema, como eu tava discutindo com uma amiga esses dias, é que trabalhar com os problemas sérios é muito mais difícil do que lançar perguntas que 'todo mundo pode responder'. Ninguém quer se perguntar "Por que as mulheres foram pro mercado de trabalho? Por que não querem ter mais filhos hojes em países da Europa?"

E em vez disso dão um monte de paliativo, como bolsa pra incentivar a ter filhos, enquanto que se fizessemos uma redistribuição populacional no planeta - redistribuição essa que já tá acontecendo de forma espontânea com a imigrção - a coisa já estaria meio caminho resolvida.

É claro que você tem que tratar também do por que as pessoas imigram? Porque as condições na África não são tão boas quanto a Europa? (pegando um exemplo qualquer). Mas daí é difícil você resolver a questão na África, né?

Isso sem contar que além das dificuldades, existe a questão de interesse econômico e pessoal em manter gente na merda. Então daí cria-se essa bola de neve difícil de conter.

Enfim, o ponto é que sempre uma pergunta leva a outra. Se as coisas fossem tão simples como mostr a reportagem, é óbvio que a coisa já estaria resolvida e o assunto nem seria discutido.

Ótimo post, moça!

Carol disse...

Muito bom Noemi! Tb acho q 7 bilhões é muito além do necessário. Aliás, apoio o VHEMT e não pretendo ter filhos.
E a responsa de procriar ou não cai sempre pra gente. E olha que nos oprimem por causa disso há pelo menos 5 mil anos.

Niemi Hyyrynen disse...

Oie gente bonita

O controle de natalidade é um ponto estratégico na sociedade capitalista, disso não tenho dúvidas! É através do controle de natalidade que países mais desenvolvidos justificam a necessidade de instalar em países economicamente menos "fortes" (diga-se estruturados)suas fábricas, seus prédios e galpões, o desvio de recursos humanos se deve muito ao indice de qualidade de vida.

Também tem a questão da imigração, infelizmente Japão, EUA e Europa são muito reticentes quanto a isso, fica evidente o medo da "distribuição de oportunidade", é o velho papo do "veio roubar um emprego de um cidadão que nasceu aqui".

Pq para os machistas é tão ruim a mulher sair para trabalhar? Pq ela conquista independencia financeira e com isso ela pode ir para onde ela quiser (com ressalvas). Inclusive o direito sobre o controle da natalidade está relacionado a qualidade de vida e poder financeiro, está tudo conectado! :)

Gente, brigada pelos ótimos coments, acho que se eu me esforçar mais nas leituras, consigo criar textos melhores e insuflar uma discussão mais acalorada por aqui rs, por enquanto acho que começamos bem.

Bruno S disse...

Eu vi muita bobagem sendo dita e escrita sobre os 7 bilhões. Felizmente, não foi aqui que eu vi.

Deixo cá meus pitacos.

O que pode pressionar a demanda por recursos naturais (e já está pressionando) não é o crescimento da população, mas sim a entrada de grandes parcelas da população no mercado de consumo, nos países em desenvolvimento.

Apesar de o número 7 bilhões ser assustador, o ritmo de crescimento está diminuindo e a população deverá estabilizar no final do século. Acho que em torno de 10 bi.

O mundo até pode aguentar essa população toda, desde que não tentemos reproduzir o padrão de consumo dos países ricos para o mundo todo. Como fazer isso? Ninguém sabe ainda.

A questão previdenciária também é outro abacaxi. Os modelos previdenciários foram pensados para populações que cresciam e com mais gente trabalhando que aposentada.

Como vai ser? Não faço ideia.

mundomel disse...

O controle de natalidade é totalmente associado a poder econômico e intelectual. É aquela velha pergunta de "Por que nos pobres têm tantos filhos?". Garanto que não é porque querem. Ainda há muita gente sem instrução de como evitar (por incrível que pareça!), sem condições de comprar e usar um método adequado e claro, tem a questão da violência sexual. Sem contar o machismo, ou você acha que um cara machista de 40 anos vai usar camisinha com a mulher dele assim de boa?

Quanto à previdência, bem, eu acho que é uma questão que precisa ser totalmente repensada. E eu não faço idéia de como isso pode ser feito.

Incentivar a imigração é uma boa saída assim como buscar um modo de vida verdadeiramente sustentável. Mas isso, infelizmente, é uma utopia que o sistema capitalista torna impossível.

Dayane Ok. disse...

Lembrei-me do fato de na China, mulher ser nada!Eles acreditam que é culpa das mulheres a superpopulação!Quando nasce um menino, eles comemoram, quando nasce uma menina, els podem até matar se quiserem!

Liana disse...

Controle de natalidade pelo governo é o útero a serviço da nação, acabam misturando ser mãe com uma conversa nacionalista e de supostas obrigações civis. É como convocar homens para lutarem na guerra. Antes a mulher deveria parir soldados ou escravos, hoje deve parir mão-de-obra e consumidores. Ou segundo uns, útero de mulher pobre é fábrica de bandido.

E concordo com a questão da prosperidade, para que haja mudança precisamos ir muito além da esfera individual já que é um problema estimulado pelo atual sistema político e econômico.