segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Agredir sua própria filha - 'Não era tão grave como parecia'


[ Bater na sua filha? Ok, não sendo na mão ela ainda pode tocar piano! \o/ ]


Um caso que vem repercutindo e causando muita indignação é o da jovem chamada Hillary Adams, ela é filha do juíz da vara de família William Adams [veja bem a ironia da coisa toda] , a menina gravou escondida as agressões que sofreu do pai no ano de 2004 por ela ter acessado alguns sites que os seus pais não "aprovavam".

O vídeo é muito chocante, William visivelmente irritado segura a menina pelo braço com força, grita com ela e por mais que Hillary implore para ele parar, o sujeito mesmo assim lhe dá diversos golpes com de cinta , Hillay cai perto da cama e o pai continua a agredi-la verbalmente e fisicamente.

Ainda há um outro agravante, acompanhado da mãe, William volta ao quarto de Hillary para castigá-la novamente, a mãe diz outra série de barbaridades e a filha lá, indefesa e encurralada.

Esse vídeo é o retrato perfeito, sem tirar nem por da vida de várias crianças e adolescentes inclusive aqui no Brasil, onde a população acha "chique" os padrões morais e comportamentais dos EUA e fazendo de tudo para reproduzí-los por essa bandas, a questão da palmada "pedagógica" precisa ser resolvida.

"Educar é um ator de amor" essa afirmação tão repetida de forma sempre vazia precisa ser discutida, o que é o amor? É dialogar? Tratar o próximo como seu semelhante, ou lidar com os demais como se fossem objeto onde se é permitido punições arbitrárias?

Pois estamos falando de um tipo de criação em que há uma clara hierarquia, os pais agem como se fossem "donos" dos seus filhos e usam de atitudes punitivas não para indicar o melhor caminho, mas para coagir seus filhos, essas formas de intimidação não formam caráter, apenas fazem com que estas crianças cresçam inseguras e com maior provabilidade de se tornarem adultos rancorosos.

( Todo reacinha apanhou de cinta e diz que não tem "medo" dos pais mas "respeito", acha bonito por exemplo a polícia "repreender" alguns "vagabundos" para proteger o "cidadão de bem", pois é evidente que aprenderam que somente a violência é capaz de "educar" ).

Precisamos discutir sempre e nos posicionarmos contra a qualquer tipo de violência doméstica, ( ou você acha que este "honrado" cidadão bateria na sua filha assim na rua? Isso são questões particulares - eles alegam ).

A violência a repressão estão sempre estrategicamente ligadas ao âmbito familiar e doméstico é por isso que movimentos igualitários como o feminismo se fazem necessários, precisamos combater a violência que se instala silenciosamente nas casas e são levadas à sociedade por meio do aprendizado do "à ferro e fogo".


Você pode ler a matéria aqu


Update: Em tempo, a Gabi do excelente blog Psicologia em Foco postou hoje um texto que complementa muito bem esse post com um estudo sobre crianças que apanham dos seus pais desenvolvem uma maior habilidade para mentir.

7 comentários:

Caos disse...

De fato a violência tem sido muito usada com a "intenção de educar". Não só a física, como a verbal.
Sem contar que muitos pais esquecem que criança é CRIANÇA e querem que @ pequenin@ saiba das coisas como se fosse um adulto, o que acaba gerando mais revolta e mais punições e mais violência.

Acho essas coisas um absurdo. Ainda mais que muitos pais fazem questão de abalar a autoestima e a moral dos filhos.

Essa juiza aí, não deveria de ter a profissão que tem, com atitudes dessas.

Bruno S disse...

Pois é Niemi.

Sempre que uma pessoa bate em outra, configura o crime de agressão.

Mas se a pessoa que apanha é uma criança e o agressor um dos pais(ou outro responsável), a violência vira "educação".

Lógica torta dessa turma.

Dayane Ok. disse...

Olha Niemi, não sei se concordarpá comigo, mas tem casos e casos!
Eu nunca adimiti que meus pais tivessem medidas abusivas comigo e desde crinaça me revoltava quando notava que eu apanhava porque minha ma~e estava "estressada" e depois de ter apanhado, dela ter descontado toda a raiva em mim, vinha com "desculpa, fia!Eh que a mãe tv nervosa com outras coisas!". ISSO EU REPROVO TOTALMENTE !!!!ACHO HORRÌVEL!!!!!Da mesma forma espancamentos, onde o pai ou a mãe não sabem o limite, ou fazem de seus filhos o que querem, só pq são "pais!".
Mas eu não sou contra levar uns bons tapas não!Tem ilho que só falta bater na mãe, que faz o que quer, apronta todas!Merce levar uns tapas na bunda sim, pra saber que sim, o pai é uma autoridade. Eu acho que deve sim haver uma hierarquia familiar, onde filho entende que pai e mãe merecem respeito. Cm disse, não é abuso de autoridade, mas mostrar que tem autoridade, isso tem que ter!

Bruno S disse...

Dayana,

por mais que tenha quem "mereça" receber uns tapas, acho que ninguém pode ter o direito de fazê-lo.

Acredito também que se for necessária violência para estabelecer a hierarquia, já tinha algo errado antes.

Niemi Hyyrynen disse...

Oie Day bom receber vc por aqui!

Então, é como Bruno disse, por mais que tenha pessoinhas que "merecem" não é por direito alguém fazê-lo.

Não é pq vc não bate na criança que vc não está exercendo um papel de autoridade, vc pode educar uma criança de diversas formas, eu mesma sou um exemplo disso, minha mãe NUNCA me bateu, (já meu pai sim) e isso é meio que cultural, tem gente que não vê outra possibilidade que se não um tapa.

Crianças não são adultos, não dá pra vc exigir de uma criança uma compreensão de mundo igual de alguem crescido, mas tb não precisa tratar criança como se fosse débil ou como se fosse um animal (nem animais merecem apanhar né?)

A pedagogia ajuda os pais a educarem seus filhos de forma mais lúdica, ela ensina os parentes a transformar os diálogos em algo de fácil compreensão para os pequenos, (sim eles precisam de uma adaptação ao discurso, já que eles tem menos bagagem do que nós adultos), mas quando a nos adequamos a elas, elas entendem perfeitamente o que queremos.

É necessário alguns "castigos"? Sim, mas precisa traumatizar a criança? Não, vc pode negociar limites, isso é mais válido do ponto de vista social, a criança pode aprender desde cedo que suas ações geram consequencias, pq há regras e onda há regras bem limitadas há respeito e não há espaço para violência onde há o respeito.

:)

Bruno! até agora não apareceram os trolls que vc me rogou praga!

kkkkk ;D

Dayane Ok. disse...

Ah Niemi, na teoria é muito fácil!Eu nunca vi ninguém crescer revoltado pq levou uns tapas no bum bum!
Lembro que quando eu tinha uns 3 aninhos eu comia todas as borrachas e colas do meu irmão (rs). Meu pai é muito calmo, ele sempre falava pra eu não fazer isso, que era feio, que o papai tinha copmprado pro maninho, que era dele fazer lição na escola, que ia me dar dor de barriga. Eu fingia que entendia, mas ia econdidinha lá e comia a primeira borracha que achasse!RE eu sabia que isso era errado, meu pai já havia falado muitas vezes, mas cm eu sabia qele era bonzinho, não ligava (olha a safadeza!rs.Com 3 anos de idade!). Até que um dia, meu pai me pegou comendo uma borracha.E sabe o que ele fez? Não falou nada e só CLAPT!, levei uma chinelada na bunda!Claro que nem doeu, mas eu fiz um escândalo!Não esperava que meu papai bonzinho (bobo, que deixava eu fazer o que quisesse) fosse me bater!E PERGUNTA SE EU FIZ DE NOVO?????Nunca mais comi o material escolar do meu irmão!rs

E sim, eu lembro de td isso!Estranho, neh o.O

Liana disse...

Vou pegar um pouco o fio da Dayane. Tem bastante diferença daquela pessoa que bate para disciplinar e daquela que bate para descontar suas frustrações, seus recalques em alguém que não vai conseguir se defender. Acho que este segundo caso tem muito mais chances de traumatizar do que o primeiro. A dor física passa, mas a dor moral pode acompanhar por muito tempo ainda.

Isto posto, agressão é agressão e só prova que os pais não tem realmente autoridade, pois se tivessem não precisariam deste expediente. Bater provoca medo, não respeito. Isto jamais será mecanismo justo para se passar valores éticos e morais, assim como não era no passado. Só que muitos pais hoje estão perdidos, antes era mais fácil, bastava bater, mandar calar a boca e todos achavam bonito e necessário, a sociedade ratificava este tipo de repressão.

Os pais precisam de novos paradigmas, o chato é que é tão mais fácil reproduzir que criar. É preciso uma boa dose de criatividade e desprendimento para que certos valores sejam superados e não vejo muitos pais nos seus sacrossantos feudos dispostos a isso.